Histórico do PIME


PIME
Mais de 155 Anos de Missão

Dom Angelo Ramazzotti
           A caminhada do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME) inicia no dia 30 de julho de 1850, em Saronno (região de Milão, na Itália), pelo generoso coração do Papa Pio IX, que deu um vigoroso impulso às missões "Ad Gentes" ou "Além Fronteira". Apesar das grandes dificuldades de seu pontificado, Pio IX desejava que, também na Itália, nascesse um Instituto de clero diocesano (também conhecido como secular) e de leigos, nos moldes das "Missões Estrangeiras" de Paris, braço direito de Propaganda Fide para a Ásia.
             
             Em 1847, o Pontífice comunica ao arcebispo de Milão, Dom Romilli, que a capital da Lombardia deveria sediar o seminário missionário italiano. A proposta cai em terreno fértil. Padre Angelo Ramazzotti, superior dos Oblatos de Rho, desde criança amava as missões e até orientara alguns seminaristas e sacerdotes ao apostolado missionário, enviando-os a congregações religiosas.

          No ano de 1850, o padre Angelo Ramazzotti se ofereceu a Dom Romilli para a nascente obra e, juntamente com mais cinco sacerdotes diocesanos e dois leigos, fundou o "Seminário Lombardo para Missões Além Fronteiras", em sua casa paterna na cidade de Saronno. Assim, na Conferência Episcopal da Lombardia, em 1º de dezembro de 1850, foi assinado o Ato de Fundação do "Seminário Missionário". Em 1851 eles se transfeririam a Milão.

            O início foi modesto, mas com grande espírito de doação aos povos mais longínquos e abandonados. De fato, os primeiros sete missionários escolheram duas pequenas ilhas (Rook e Woodlark) da Oceania, habitadas por tribos primitivas, anteriormente abandonadas pelos maristas. Após três anos, os missionários do instituto foram forçados a se retirar, deixando aí dois mortos, um deles o mártir Giovanni Mazzucconi, beatificado em 1984. No entanto, o carisma de ir às fronteiras da cristandade permaneceu, como preciosa herança de fundação, e se manifestava sempre mais, à medida em que o instituto aceitava da Santa Sé as missões abandonadas ou recusadas por outros.

                  Entretanto, os sucessores dos bispos que haviam assinado o Ato de Fundação do Seminário em 1850, desinteressaram-se de suas atividades, enviando cada vez menos vocações e recusando os que retornavam das missões. Isto obrigou o seminário a criar a primeira "Casa Apostólica", em Monza, no ano de 1911. Também foram instituidos, neste mesmo período, vários seminários de níveis diferentes, a casa de repouso na cidade de Lecco (Itália) centros de animação missionária e vocacional.
A direção geral foi transferida para Roma, em 1951, com maior articulação do que no passado. O grande promotor da mudança foi o padre Paulo Manna, o qual exerceu a função de Superior Geral entre 1924 a 1934.
Casa do PIME em Milão
                   Em 1871, Dom Pietro Avanzini havia fundado em Roma o "Pontifício Seminário dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo para as Missões Além-Fronteiras". Os dois seminários missionários caracterizaram-se por enviar padres diocesanos às missões,  sem torná-los religiosos. Desta maneira, ambos os seminários tinham como finalidade exclusiva a missão "Ad Gentes" que seria o primeiro anúncio e fundação da Igreja local em territórios  a eles confiados pela Propaganda Fide.


                    Assim, no ano de 1926, o Papa Pio XI decide promover a união do "Seminário Lombardo para as Missões Além-Fronteiras" com o "Pontifício Seminário dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo para as Missões Além-Fronteiras", dando origem ao Pontifício Instituto da Missões (PIME). Com características semelhantes às do seminário de Milão, o PIME enviou seus padres para a China,  México, Austrália, Sudão, Egito, Estados Unidos, sempre a serviço das Igrejas locais.

                 No passado, o instituto não tinha uma política de expansão ao exterior, como normalmente ocorre nas congregações religiosas. Segundo as normas de 1886 do Seminário Lombardo, confirmadas na constituição de 1925, não se deveria aceitar outros sacerdotes europeus e nem sacerdotes indígenas, educados em missões. Na prática, até há poucos anos, o PIME formava apenas candidatos italianos e fundava a Igreja nos territórios novos que ele havia evangelizado, sem fundar ali o Instituto.


                Assim, a internacionalização dos missionários foi realizada gradualmente nos últimos cinquenta anos, sendo legalizada na Assembleia Geral de 1989, realizada em Tagaytay, nas Filipinas. A partir de então, o PIME abre completamente suas portas a membros não-italianos. Uma mudança corajosa e nem sempre pacífica, entre os que queriam permanecer fiéis à tradição e os que, pelo contrário, achavam que a globalização e a evolução das "Jovens Igrejas" levam o Instituto a ser internacional.

                              
                 No dia 31 de agosto de 1969, em Kampala (Uganda), Paulo VI gritou: "Vocês, africanos, sejam doravante os missionários de vocês mesmos". Na época, aquilo soava estranho, mas foi, ao invés, um anúncio profético. Hoje ninguém mais duvida que, na Igreja, a iniciativa missionária está passando da antiga à jovem Igreja.

                Hoje, os institutos missionários estão sendo solicitados, cada vez mais, a abrir seu carisma às Igrejas jovens que fundaram, educando e incentivando seus fiéis a tornarem-se missionários. O PIME nasceu para fundar novas comunidades de fé, mas também para torná-las missionárias. É nesta esperança que o Instituto ajudou a fundar entidades missionárias locais, sujeitas às Conferências Episcopais no Brasil, na Tailândia, na Índia, nas Filipinas e na Birmânia (hoje Myanmar).

                 A internacionalização foi também um convite dos bispos locais das missões. Hoje o PIME tem dois seminários na Itália, quatro na Índia, e um nos Estados Unidos, no Brasil e nas Filipinas. O instituto já acolheu também clérigos japoneses, chineses, papuanos, vietnamitas, birmaneses, bengaleses, argentinos, mexicanos, camaroneses, da Guiné Bissau e da Costa do Marfim.
             
                 Nas jovens Igrejas onde trabalha, o Instituto presta serviço pastoral, a pedido dos bispos, e a orienta para a missão "Ad Gentes" nas situações de fronteira, na China, no Camboja, entre as tribos da Índia e do Bangladesh, no Sul das Filipinas, em Papua-Nova Guiné, em Guiné-Bissau, na Amazônia e no México.
                Assim, o PIME responde positivamente ao pedido dos bispos locais também com a animação missionária das igrejas, às quais presta serviço através de revistas, centros de animação e seminários missionários. O instituto sente, como nunca, a responsabilidade de contribuir com o seu carisma original ao imperativo da Igreja no terceiro milênio; isto é, tornar missionário todo o Povo de Deus.

                 Em 155 anos, com poucos missionários (nunca acima de 700 pessoas), o PIME fundou 40 dioceses em vários continentes, especialmente na Ásia. Hoje, o PIME atua, além da Itália, em 17 países: um na Oceania, três na América, três na África e dez na Ásia. São 550 seus atuais membros.